Analisar como a precariedade estrutural e a gamificação das plataformas digitais impactam a saúde e a segurança de motociclistas de aplicativo.
O estudo articula etnografia participante, psicodinâmica do trabalho e trabalho em plataformas, abordando a gamificação como mecanismo de controle e viciação, ainda pouco explorado em pesquisas sobre saúde ocupacional no contexto brasileiro.
Pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, baseada em participação observante como motociclista de aplicativo em Governador Valadares-MG, com diário de campo, conversas informais e análise interpretativa dos registros à luz de Dejours e da literatura recente.
Os achados evidenciam subordinação algorítmica, opacidade informacional, metas-armadilha e transferência de riscos ao trabalhador, produzindo fadiga, insegurança, pressão psicológica e adoecimento físico e mental.
O artigo amplia a compreensão da gamificação como dispositivo de gestão patogênica e demonstra o potencial da participação observante para captar dimensões subjetivas e cotidianas do trabalho plataformizado.
Os resultados sustentam a necessidade de regulação das plataformas, com transparência algorítmica, pagamento pelo tempo logado e seguro acidentário obrigatório, para proteger a saúde e promover trabalho decente.
To analyze how structural precariousness and platform gamification affect the health and safety of app-based motorcycle workers.
The study combines participant ethnography, work psychodynamics, and platform labor, addressing gamification as a mechanism of control and behavioral reinforcement that remains underexplored in Brazilian occupational health research.
Qualitative ethnographic research based on participant observation as an app-based motorcycle worker in Governador Valadares, Brazil, using field notes, informal conversations, and interpretive analysis grounded in psychodynamics of work and recent literature.
The findings reveal algorithmic subordination, informational opacity, trap-like goals, and risk transfer to workers, generating fatigue, insecurity, psychological pressure, and physical and mental illness.
The article broadens the understanding of gamification as a pathogenic management device and shows the value of participant observation for capturing subjective and everyday dimensions of platform work.
The results support regulation of platforms through auditable algorithmic transparency, payment for logged time, and mandatory accident insurance to protect workers’ health and promote decent work.