Analisar os princípios de ética de dados que incidem sobre cada etapa de um pipeline preditivo de Qualidade de Vida no Trabalho e defender que a interpretabilidade do modelo é uma exigência ética, não apenas um recurso técnico.
A literatura já mapeia os riscos éticos do people analytics, mas raramente os liga às escolhas metodológicas concretas de um modelo preditivo de QVT sob a LGPD. O ensaio ocupa essa lacuna.
Ensaio teórico-analítico com percurso argumentativo dedutivo: parte de princípios consolidados na literatura de ética de dados e da LGPD, decompõe o pipeline em seis etapas do ciclo de vida dos dados e cruza princípios e etapas.
Uma matriz que associa, a cada etapa, o risco ético predominante e sua mitigação. Os riscos mais graves concentram-se nas extremidades, coleta e uso, onde as decisões são humanas e institucionais, não algorítmicas.
Propõe a interpretabilidade como categoria ética autônoma, não subsumida à transparência, situando o argumento de Rudin no contexto da LGPD e da subordinação própria do trabalho. Os coeficientes Beta padronizados tornam-se instrumento de prestação de contas.
Oferece a gestores um instrumento prático para desenhar iniciativas de bem-estar sem transformá-las em vigilância: base legal adequada, uso agregado e formativo dos resultados, supervisão humana e limites que protegem quem respondeu.
To analyse the data ethics principles that bear on each stage of a predictive pipeline for Quality of Work Life, and to argue that model interpretability is an ethical requirement rather than merely a technical resource.
The literature already maps the ethical risks of people analytics, but it rarely connects them to the concrete methodological choices of a QWL predictive model under Brazilian data protection law. This essay addresses that gap.
A theoretical-analytical essay following a deductive argumentative path: it starts from principles consolidated in the data ethics literature and in the LGPD, breaks the pipeline into six stages of the data life cycle, and cross-references principles and stages.
A matrix linking each stage to its predominant ethical risk and corresponding mitigation. The most serious risks cluster at the ends of the pipeline, collection and use, where decisions are human and institutional rather than algorithmic.
It proposes interpretability as an autonomous ethical category, not subsumed under transparency, situating Rudin's argument within the LGPD and the subordination inherent to employment. Standardised Beta coefficients thus become an instrument of accountability.
It offers managers a practical instrument for designing well-being initiatives without turning them into surveillance: an appropriate legal basis, aggregated and formative use of results, human oversight, and limits that protect those who responded.