Avaliar se os instrumentos utilizados pela literatura empírica para mensurar a transformação digital em gestão estratégica atendem aos padrões de validade de construto estabelecidos pela literatura metodológica, por meio de uma auditoria sistemática das medidas empregadas no campo.
A transformação digital é um dos construtos mais estudados e menos consistentemente mensurados da gestão estratégica. O estudo submete suas medidas ao mesmo escrutínio de validade de construto exigido de outros construtos, lacuna ainda não endereçada de forma sistemática.
Auditoria em duas fases: síntese cruzada de onze revisões de referência, da qual se derivam cinco critérios de adequação da mensuração (C1–C5), seguida da auditoria de 109 estudos empíricos frente a esses critérios, classificados por família de instrumento.
Nenhum dos noventa instrumentos empiricamente aplicados satisfaz simultaneamente os cinco critérios. As violações seguem um padrão estrutural por família: mineração textual e proxies capturam visibilidade; índices, escalas e modelos de maturidade capturam intensidade percebida, não o construto teórico.
Deriva cinco critérios explícitos de adequação da mensuração, oferecendo um protocolo replicável para avaliar instrumentos existentes e desenhar novos. Torna explícito que parte do conhecimento acumulado pode refletir o que as medidas capturam, e não o fenômeno.
Escores de transformação digital orientam decisões de investidores, gestores e reguladores. Ao evidenciar que medidas dominantes capturam visibilidade, não alinhamento estratégico, o estudo alerta que decisões calibradas por esses indicadores podem mirar o alvo errado.
To assess whether the instruments used in the empirical literature to measure digital transformation in strategic management meet the construct-validity standards established by the methodological literature, through a systematic audit of the measures employed in the field.
Digital transformation is among the most studied and least consistently measured constructs in strategic management. The study subjects its measures to the same construct-validity scrutiny required of other constructs, a gap not yet addressed systematically in the field.
A two-phase audit: a cross-synthesis of eleven reference reviews, from which five measurement-adequacy criteria (C1–C5) are derived, followed by an audit of 109 empirical studies against these criteria, classified by instrument family.
None of the ninety empirically applied instruments satisfies all five criteria simultaneously. Violations follow a structural pattern by family: text mining and proxies capture visibility; indices, scales, and maturity models capture perceived intensity, not the theoretical construct.
Derives five explicit measurement-adequacy criteria, offering a replicable protocol to evaluate existing instruments and design new ones. It makes explicit that part of the accumulated knowledge may reflect what the measures capture, rather than the phenomenon itself.
Digital-transformation scores guide decisions by investors, managers, and regulators. By showing that dominant measures capture visibility rather than strategic alignment, the study warns that decisions calibrated on these indicators may aim at the wrong target.