Propor um modelo teórico integrador que explique como governança sociotécnica, arranjos colaborativos, experimentação urbana e institucionalização convertem resultados temporários em capacidades públicas e valor público duradouro.
A originalidade reside na institucionalização como elo entre experimentação urbana e valor público, deslocando a avaliação das cidades inteligentes da quantidade de tecnologias para a capacidade coletiva de produzir benefícios legítimos, equitativos e sustentáveis.
Ensaio teórico baseado em 51 artigos selecionados nas bases Scopus e Web of Science. A análise de conteúdo qualitativa e o mapeamento conceitual integraram cinco eixos e fundamentaram o modelo e quatro proposições teóricas.
Os resultados identificam a projetificação como barreira à continuidade e posicionam a institucionalização como mecanismo de incorporação dos aprendizados experimentais às capacidades públicas, mediante dimensões normativas, organizacionais, financeiras, cognitivas e sociopolíticas.
O estudo propõe um modelo que articula governança sociotécnica, colaboração, experimentação e valor público. A contribuição teórica compreende cinco dimensões da institucionalização e quatro proposições sobre legitimidade, aprendizagem institucional, projetificação e continuidade da inovação urbana.
O modelo auxilia administrações municipais e atores dos ecossistemas urbanos a avaliar condições de continuidade, identificar riscos de fragmentação e converter experimentações em políticas e capacidades públicas legítimas, equitativas e sustentáveis.
To propose an integrative theoretical model explaining how sociotechnical governance, collaborative arrangements, urban experimentation and institutionalisation convert temporary results into public capabilities and enduring public value.
Originality lies in positioning institutionalisation as the link between urban experimentation and public value, shifting smart-city assessment from the volume of technologies towards collective capacity to produce legitimate, equitable and sustainable benefits.
A theoretical essay based on 51 articles selected from Scopus and Web of Science. Qualitative content analysis and conceptual mapping integrated five analytical axes and supported the construction of the model and four theoretical propositions.
The results identify projectification as a barrier to continuity and position institutionalisation as the mechanism that incorporates experimental learning into public capabilities through normative, organisational, financial, cognitive and sociopolitical dimensions.
The study proposes a model integrating sociotechnical governance, collaboration, experimentation and public value. Its theoretical contribution comprises five institutionalisation dimensions and four propositions concerning legitimacy, institutional learning, projectification and the continuity of urban innovation.
The model assists municipal administrations and urban ecosystem actors in assessing continuity conditions, identifying fragmentation risks, and converting experiments into legitimate, equitable and sustainable public policies and capabilities.