Compreender como o papel do ser humano na implementação de projetos de Indústria 4.0 se manifesta na prática, a partir da experiência de profissionais do setor farmacêutico que decidem, operam e sustentam essas tecnologias no cotidiano de trabalho.
O estudo desloca o foco da adoção inicial para a sustentabilidade tecnológica, ou seja, a permanência do uso ao longo do tempo, dimensão pouco investigada, e revela que a resistência da liderança é um problema de competência técnica.
Abordagem qualitativa exploratória, com quinze entrevistas semiestruturadas realizadas com profissionais de manutenção e automação de empresas farmacêuticas de grande porte, analisadas por análise temática reflexiva e interpretadas à luz da Teoria Sociotécnica.
Cinco temas foram construídos: permanência do trabalho humano sob automação, aprendizagem cumulativa, liderança inconsistente por despreparo técnico, envolvimento humano como condição de sucesso, e origem humana da resistência. Os obstáculos são atribuídos à dimensão humana, não à tecnologia.
O estudo mostra que a otimização conjunta opera como condição de persistência temporal, não apenas de desempenho, e que a competência técnica da liderança é pré-condição da integração sociotécnica, e não simples facilitador dela.
Para gestores, os achados sugerem inverter prioridades, capacitando tecnicamente a liderança operacional antes de investir na tecnologia, e desenhar programas de formação que reconheçam a natureza cumulativa e dependente de trajetória do aprendizado tecnológico.
To understand how the role of the human being in Industry 4.0 implementation projects manifests in practice, drawing on the experience of pharmaceutical-sector professionals who decide on, operate, and sustain these technologies in their daily work.
The study shifts the focus from initial adoption to technological sustainability, that is, continued use over time, an under-investigated dimension, and reveals that leadership resistance is a problem of technical competence rather than attitude.
Exploratory qualitative approach, with fifteen semi-structured interviews conducted with maintenance and automation professionals from large pharmaceutical companies, analyzed through reflexive thematic analysis and interpreted through the lens of Sociotechnical Theory.
Five themes were constructed: persistence of human work under automation, cumulative learning, inconsistent leadership rooted in technical unpreparedness, human involvement as a condition for project success, and the human origin of resistance. Obstacles are attributed to the human dimension, not technology.
The study shows that joint optimization operates as a condition of temporal persistence, not only of performance, and that leaders' technical competence is a precondition for sociotechnical integration rather than a mere facilitator of it.
For managers, findings suggest reversing priorities by technically upskilling operational leadership before investing in technology, and designing training programs that acknowledge the cumulative, path-dependent nature of technological learning.