Examinar como diferentes tipos de conflito em conselhos consultivos de empresas familiares reconfiguram, ao longo do tempo, a alocação da atenção coletiva e a deliberação estratégica.
O estudo integra a Visão Baseada na Atenção (ABV) e a literatura sobre conflitos para explicar como o conflito influencia não apenas a qualidade das decisões, mas também quais questões estratégicas recebem atenção e chegam efetivamente à deliberação nos conselhos de empresas
Realizamos rastreamento comparativo de processos a partir de atas longitudinais de 73 reuniões dos conselhos de duas empresas familiares brasileiras de capital fechado, com perfis contrastantes de conflito: Empresa A (2011–2015) e Empresa B (2012–2016).
Na Empresa A, conflitos distributivos e relacionais produziram captura atencional crônica e deslocaram questões estratégicas. Na Empresa B, o conflito cognitivo preservou a atenção estratégica, apoiado por conselheiros externos que atuaram como recursos de reorientação atencional.
O estudo desenvolve o conceito de captura atencional pelo conflito familiar e avança a ABV ao demonstrar que o tipo de conflito, mais do que sua intensidade, reorganiza a atenção coletiva e condiciona a capacidade dos conselheiros externos de reorientá-la.
Em vez de buscar eliminar o conflito, conselhos de empresas familiares devem atentar para seu tipo, proteger a agenda estratégica de disputas relacionais e criar condições para que conselheiros externos exerçam efetivamente sua função de reorientação atencional.
To examine how different types of conflict in family firm advisory boards reconfigure the allocation of collective attention and strategic deliberation over time.
This study integrates the Attention-Based View (ABV) and the conflict literature to explain how conflict influences not only decision quality but also which strategic issues receive attention and actually enter deliberation in family firm boards.
We conducted comparative process tracing using longitudinal minutes from 73 board meetings of two privately held Brazilian family firms with contrasting conflict profiles: Company A (2011–2015) and Company B (2012–2016).
In Company A, distributive and relationship conflicts produced chronic attentional capture and displaced strategic issues. In Company B, cognitive conflict preserved strategic attention, supported by external directors who acted as resources for attentional reorientation.
The study develops the concept of attentional capture by family conflict and advances the ABV by demonstrating that conflict type, more than its intensity, reorganizes collective attention and conditions external directors’ ability to reorient it.
Rather than seeking to eliminate conflict, family firm boards should attend to its type, protect the strategic agenda from relational disputes, and create conditions that enable external directors to effectively perform their attentional reorientation role.