O objetivo da pesquisa é compreender como mulheres com endometriose percebem a influência da invisibilidade e da estigmatização na construção de sua identidade profissional.
O estudo preenche uma lacuna na área de Gestão de Pessoas ao articular identidade profissional, invisibilidade, estigmatização e capacitismo, evidenciando como a endometriose, condição crônica ainda pouco investigada no contexto laboral brasileiro, repercute nas experiências profissionais das mulheres.
Pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, realizada com dez mulheres diagnosticadas com endometriose e profissionalmente ativas Os dados foram produzidos por entrevistas semiestruturadas e examinados mediante análise temática, com apoio do software MAXQDA, seguindo as seis etapas de Braun e Clarke (2006).
Os resultados revelam que diagnóstico tardio, invisibilidade e estigmatização comprometem o reconhecimento, as trajetórias e a identidade profissional. Diante dessas barreiras, as mulheres desenvolvem estratégias de resistência, como flexibilização laboral, redes de apoio e ressignificação da relação com o trabalho.
O estudo amplia a compreensão da identidade profissional ao evidenciar sua reconstrução dinâmica na interação entre condições crônicas de saúde, práticas organizacionais e reconhecimento social, articulando invisibilidade, estigmatização, vulnerabilidades psicossociais e estratégias de resistência.
Os achados subsidiam práticas inclusivas, como flexibilização da jornada, trabalho remoto, protocolos de acolhimento, capacitação de gestores e canais de diálogo, além de reforçarem políticas públicas de diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e conscientização sobre a endometriose.
This study aims to understand how women with endometriosis perceive the influence of invisibility and stigmatization on the construction of their professional identity.
The study addresses a gap in the Human Resource Management literature by integrating professional identity, invisibility, stigmatization, and ableism, highlighting how endometriosis, a chronic condition that remains underexplored in the Brazilian workplace context, shapes women’s professional experiences.
Qualitative, exploratory, and descriptive research conducted with ten professionally active women diagnosed with endometriosis. Data were collected through semi structured interviews and examined using thematic analysis, supported by MAXQDA software, following the six phases proposed by Braun and Clarke (2006).
The results reveal that delayed diagnosis, invisibility, and stigmatization undermine recognition, career trajectories, and professional identity. In response to these barriers, women develop resistance strategies, such as workplace flexibility, support networks, and reframing their relationship with work.
The study advances the understanding of professional identity by highlighting its dynamic reconstruction through the interplay between chronic health conditions, organizational practices, and social recognition, integrating invisibility, stigmatization, psychosocial vulnerabilities, and resistance strategies.
The findings support inclusive practices such as flexible working hours, remote work, workplace support protocols, manager training, and open communication channels, while also reinforcing the need for public policies focused on early diagnosis, access to treatment, and increased awareness of endometriosis.