Analisar, de forma integrada, como profissionais atuantes em estabelecimentos de saúde no Brasil percebem as competências necessárias, o valor assistencial, a confiança e as barreiras organizacionais associadas à Saúde 4.0.
A originalidade reside em integrar competências profissionais, valor percebido, confiança e condições organizacionais, dimensões frequentemente analisadas separadamente, permitindo uma leitura sociotécnica das tensões entre aceitação da Saúde 4.0 e condições concretas para sua implementação.
Adotou-se delineamento transversal, exploratório-descritivo, com abordagem predominantemente quantitativa e componente qualitativo complementar. O survey on-line, realizado em 2022 com amostragem não probabilística por conveniência, reuniu 95 questionários válidos, analisados por frequências absolutas e relativas e categorização descritiva das respostas abertas.
Os achados revelam prontidão sociotécnica assimétrica: competências foram amplamente valorizadas (>87%), mas 37,9% relataram ausência de capacitação contínua; 85,3% consideraram a Saúde 4.0 necessária, frente a 57,9% de confiança na IA, enquanto 41,1% citaram instabilidade de rede ou plataformas.
Teoricamente, os achados reforçam a distinção entre valor percebido, confiança e prontidão organizacional, articulando-os às competências e condições de implementação. Metodologicamente, a matriz integrativa proposta organiza frequências descritivas, contrapontos críticos e prioridades gerenciais, sem constituir uma escala validada de prontidão.
Os achados indicam que a transformação digital em saúde requer integrar aquisição tecnológica, desenvolvimento contínuo de competências, participação profissional, interoperabilidade, infraestrutura, segurança e governança, de modo a favorecer implementação mais efetiva, segura e sustentável.
To analyze, in an integrated manner, how professionals working in healthcare establishments in Brazil perceive the competencies required, perceived value, trust, and organizational barriers associated with Healthcare 4.0.
The study’s originality lies in integrating professional competencies, perceived value, trust, and organizational conditions—dimensions often examined separately—thereby enabling a sociotechnical interpretation of the tensions between acceptance of Healthcare 4.0 and the concrete conditions required for its implementation.
A cross-sectional, exploratory-descriptive design was adopted, using a predominantly quantitative approach with a complementary qualitative component. The survey, conducted in 2022 with a non-probability convenience sample, yielded 95 valid questionnaires, analyzed by absolute and relative frequencies and descriptive categorization of open-ended responses.
The findings indicate asymmetric sociotechnical readiness: all five competencies were highly valued (>87%), yet 37.9% reported no continuous training; 85.3% considered Healthcare 4.0 necessary, compared with 57.9% expressing trust in AI, while 41.1% cited network or platform instability.
Theoretically, the findings reinforce the distinction among perceived value, trust, and organizational readiness, relating them to professional competencies and implementation conditions. Methodologically, the proposed integrative matrix organizes descriptive frequencies, critical counterpoints, and managerial priorities without constituting a validated readiness scale.
The findings indicate that digital transformation in healthcare requires the integration of technology acquisition, continuous competency development, professional participation, interoperability, infrastructure, security, and governance to support more effective, safe, and sustainable implementation.