Examinar como processos de cocriação em contextos de transformação digital geram aprendizagem em diferentes níveis, profundidades e alcances, identificando as condições sob as quais essa aprendizagem contribui para adaptação e reconfiguração organizacional.
O estudo integra cocriação, aprendizagem organizacional e capacidades dinâmicas, distinguindo nível, profundidade e alcance da aprendizagem. Essa abordagem evita tratar participação, compartilhamento de conhecimento, melhoria técnica e reconfiguração organizacional como resultados equivalentes.
Realizou-se um estudo qualitativo de múltiplos casos com cinco iniciativas digitais, sete entrevistas em profundidade e evidências documentais complementares em um caso. Os dados foram analisados por análise de conteúdo, comparação intracasos e intercasos e interpretação pelas capacidades dinâmicas.
A cocriação gerou aprendizagem por reformulação de problemas, integração de conhecimentos, experimentação, feedback, mediação e apropriação pelos usuários. Sensing e seizing foram mais frequentes, enquanto transforming exigiu mudanças recorrentes e duráveis em critérios, rotinas, estruturas ou mobilização de recursos.
A pesquisa distingue nível, profundidade e alcance da aprendizagem; evidencia a aprendizagem como mecanismo e resultado da cocriação; e diferencia aprendizagem localizada, adaptação e reconfiguração organizacional. Metodologicamente, combina análise por caso, comparação transversal e interpretação em duas etapas.
Gestores devem avaliar iniciativas digitais além da entrega tecnológica, verificando se o conhecimento produzido é legitimado, retido, compartilhado e reutilizado. Mediação, governança, documentação, participação de usuários e responsabilidades definidas ajudam a converter experiências locais em aprendizagem organizacional mais ampla.
To examine how co-creation processes in digital transformation contexts generate learning at different levels, with varying depth and reach, and identify the conditions under which this learning contributes to organizational adaptation and reconfiguration.
The study integrates co-creation, organizational learning, and dynamic capabilities by distinguishing the level, depth, and reach of learning. This approach avoids treating participation, knowledge sharing, technical improvement, and organizational reconfiguration as equivalent outcomes.
A qualitative multiple-case study examined five digital initiatives through seven in-depth interviews and supplementary documentary evidence for one case. Data were analyzed through content analysis, within-case and cross-case comparison, followed by interpretation using the dynamic capabilities lens.
Co-creation generated learning through problem reframing, knowledge integration, experimentation, feedback, mediation, and user appropriation. Sensing and seizing were more frequent, whereas transforming required recurrent and durable changes in criteria, routines, structures, responsibilities, or resource mobilization.
The study distinguishes the level, depth, and reach of learning; shows learning as both a mechanism and an outcome of co-creation; and differentiates localized learning, adaptation, and organizational reconfiguration. Methodologically, it combines within-case analysis, cross-case comparison, and two-stage interpretation.
Managers should assess digital initiatives beyond technology delivery by examining whether generated knowledge is legitimated, retained, shared, and reused. Mediation, governance, documentation, user participation, and assigned responsibilities can help convert local experiences into broader organizational learning.