Compreender como a clonagem de animais de estimação opera como estratégia tecnológica de enfrentamento da finitude, articulando as teorias do self estendido, Terror Management Theory (TMT) e pós-humanismo na relação entre consumo, identidade e morte.
O estudo avança ao analisar a clonagem de pets para além da biotecnologia, interpretando-a como prática de gestão do luto e continuidade identitária. Propõe o conceito original de “necroextensão afetiva”, conectando consumo, tecnologia e finitude.
Adotou-se abordagem qualitativa fenomenológica, com 18 entrevistas semiestruturadas realizadas com tutores e profissionais da indústria de clonagem, complementadas pela análise de 18 discussões no Reddit, totalizando 80.690 palavras analisadas.
Os resultados indicam que a clonagem funciona como ritual contemporâneo de gerenciamento do luto, oferecendo sensação de continuidade afetiva e controle sobre a morte, ao restaurar simbolicamente o vínculo identitário entre tutor e animal.
O estudo amplia as teorias do self estendido e da TMT ao demonstrar que tecnologias biotecnológicas podem materializar estratégias de continuidade identitária, propondo a necroextensão afetiva como novo conceito para compreender vínculos pós-morte mediados pela tecnologia.
Os achados auxiliam empresas e reguladores a compreenderem a vulnerabilidade emocional dos consumidores desse mercado, indicando a necessidade de práticas éticas, comunicação transparente e suporte emocional em serviços relacionados à clonagem de pets.
To understand how pet cloning operates as a technological strategy for coping with finitude, articulating Extended Self, Terror Management Theory (TMT), and posthumanism within the relationship between consumption, identity, and death.
The study advances the literature by analyzing pet cloning beyond biotechnology, interpreting it as a practice of grief management and identity continuity. It proposes the original concept of “affective necroextension,” connecting consumption, technology, and finitude.
A qualitative phenomenological approach was adopted, involving 18 semi-structured interviews with pet owners and cloning industry professionals, complemented by the analysis of 18 Reddit discussions, totaling 80,690 analyzed words.
The findings indicate that cloning functions as a contemporary ritual of grief management, providing a sense of affective continuity and control over death by symbolically restoring the identity bond between owner and animal.
The study expands Extended Self and Terror Management Theory by demonstrating that biotechnological technologies can materialize strategies of identity continuity, proposing affective necroextension as a new concept for understanding post-death bonds mediated by technology.
The findings help companies and regulators understand the emotional vulnerability of consumers in this market, highlighting the need for ethical practices, transparent communication, and emotional support in pet cloning services.