Este ensaio teórico objetiva discutir as relações entre a Inteligência Artificial Generativa e a saúde mental dos gestores escolares da rede pública, considerando o estresse ocupacional, a carga cognitiva e o bem-estar no trabalho, e propor um modelo teórico com proposições testáveis.
A literatura sobre inteligência artificial e trabalho concentra-se em trabalhadores em geral e na atividade docente, negligenciando os gestores escolares. O estudo inova ao articular, em um único modelo, carga cognitiva, estresse ocupacional e bem-estar, deslocando o foco para o trabalho gerencial.
Ensaio teórico exploratório, orientado à construção de modelo conceitual. Realizou-se levantamento bibliográfico dirigido, de natureza não sistemática, em bases multidisciplinares, com recorte principal entre 2022 e 2026, período de rápida difusão dos modelos generativos, mantendo-se trabalhos seminais anteriores para definição dos construtos.
O modelo articula duas trajetórias: a tecnologia reduz atividades burocráticas e a carga cognitiva extrínseca, favorecendo o bem-estar; simultaneamente, eleva o tecnoestresse e o estresse ocupacional, comprometendo-o. Condições organizacionais de implementação moderam esse percurso, definindo o desfecho protetivo ou patogênico.
O artigo integra a Teoria da Carga Cognitiva, o modelo Demandas e Recursos e os estudos críticos do trabalho, oferecendo hierarquia conceitual que distingue tecnoestressores, estresse ocupacional, bem-estar e burnout, e converte a ambivalência da tecnologia em proposições passíveis de verificação empírica.
Os achados alertam formuladores de políticas educacionais de que a transformação digital das escolas não pode priorizar apenas indicadores de desempenho, exigindo governança algorítmica, formação continuada e suporte institucional capazes de preservar a autonomia, o bem-estar e a capacidade decisória dos gestores
This theoretical essay aims to discuss the relationships between Generative Artificial Intelligence and the mental health of public school leaders, considering occupational stress, cognitive load and well-being at work, and to propose a theoretical model with testable propositions.
Research on artificial intelligence and work has focused on workers in general and on teaching activity, neglecting school leaders. This study innovates by articulating cognitive load, occupational stress and well-being within a single model, shifting the focus to managerial work.
Exploratory theoretical essay oriented towards building a conceptual model. A directed, non-systematic literature review was conducted in multidisciplinary databases, with a main time frame of 2022–2026, the period of rapid diffusion of generative models; earlier seminal works were retained to define constructs.
The model articulates two pathways: the technology reduces bureaucratic activities and extraneous cognitive load, favouring well-being; simultaneously, it raises technostress and occupational stress, undermining it. Organisational implementation conditions moderate this pathway, determining whether the outcome is protective or pathogenic.
The article integrates Cognitive Load Theory, the Job Demands–Resources model and critical labour studies, offering a conceptual hierarchy that distinguishes technostressors, occupational stress, well-being and burnout, and converting the ambivalence of technology into empirically verifiable propositions.
The findings alert educational policymakers that the digital transformation of schools cannot prioritise performance indicators alone, requiring algorithmic governance, continuing education and institutional support capable of preserving school leaders' autonomy, well-being and decision-making capacity.