Compreender como tutores que se autodenominam “pais de pet” constroem significados afetivos e simbólicos na relação cotidiana com seus animais de companhia, considerando vínculos de cuidado, pertencimento, identidade, antropomorfização e consumo.
O estudo articula famílias multiespécies, antropomorfização, self estendido e consumo simbólico para explicar como animais de companhia ocupam posições afetivas centrais e passam a integrar identidades, rotinas familiares e práticas de consumo de seus tutores.
Adotou-se abordagem qualitativa e descritiva, com entrevistas semiestruturadas realizadas com dez tutores de cães e gatos autodeclarados pais de pet. Os dados foram examinados por análise de conteúdo de Bardin, com apoio do software Taguette.
Os resultados evidenciaram sete categorias e mostraram que os pets são percebidos como companheiros, membros da família, filhos e fontes de apoio emocional. O consumo surge como expressão concreta de amor, cuidado, proteção e pertencimento.
A pesquisa amplia as discussões sobre famílias multiespécies, antropomorfização, self estendido e consumo simbólico ao demonstrar que os pets participam da construção identitária e afetiva dos tutores, conectando vínculos emocionais, práticas familiares e decisões de consumo.
Os achados sugerem que marcas e serviços do setor pet desenvolvam propostas de valor que ultrapassem atributos funcionais, enfatizando cuidado, personalização, bem-estar e comunicação emocionalmente sensível, coerente com a centralidade dos animais nas relações familiares contemporâneas.
To understand how owners who self-identify as “pet parents” construct affective and symbolic meanings in their everyday relationships with companion animals, considering bonds of care, belonging, identity, anthropomorphism, and consumption.
The study integrates multispecies families, anthropomorphism, the extended self, and symbolic consumption to explain how companion animals occupy central affective positions and become embedded in owners’ identities, family routines, and consumption practices.
A qualitative and descriptive approach was adopted, using semi-structured interviews with ten dog and cat owners who self-identified as pet parents. Data were examined through Bardin’s content analysis, with support from Taguette software.
The findings revealed seven categories and showed that pets are perceived as companions, family members, children, and sources of emotional support. Consumption emerged as a concrete expression of love, care, protection, and belonging.
The study advances discussions on multispecies families, anthropomorphism, the extended self, and symbolic consumption by showing that pets participate in owners’ identity and affective construction, linking emotional bonds, family practices, and consumption decisions.
The findings suggest that pet-sector brands and services should develop value propositions beyond functional attributes, emphasizing care, personalization, well-being, and emotionally sensitive communication consistent with the central role animals occupy in contemporary family relationships.