Propor uma tipologia de quatro categorias de assédio vivenciado por mães solo empreendedoras brasileiras e compreender como essas experiências configuram barreiras estruturais ao desenvolvimento de seus empreendimentos.
O estudo conecta assédio e empreendedorismo feminino, campos tratados separadamente pela literatura, e evidencia vulnerabilidades cumulativas específicas de mães solo brasileiras, ausentes nos estudos sobre mumpreneurs do Norte Global.
Pesquisa qualitativa, exploratória e interpretativista, com 29 entrevistas semiestruturadas virtuais com mães solo empreendedoras brasileiras, analisadas por meio da análise de conteúdo de Bardin, com apoio do Atlas.ti.
Identificaram-se quatro categorias de assédio — sexual, moral e organizacional, institucional e patrimonial, que se sobrepõem e se retroalimentam ao longo da trajetória de vida e de negócios.
O estudo expande o conceito de barreira estrutural no empreendedorismo feminino para incluir a violência de gênero sistêmica, e documenta como mulheres periféricas são incorporadas aos ecossistemas empreendedores sem acesso a capital, redes ou oportunidades de crescimento.
Os achados subsidiam políticas públicas de crédito diferenciado, cuidado infantil, proteção institucional contra assédio e capacitação do sistema de justiça para reconhecer e coibir a violência vicária contra mães solo.
This study proposes a typology of four categories of harassment experienced by Brazilian solo-mother entrepreneurs and examines how these experiences configure structural barriers to venture development.
The study connects harassment and women's entrepreneurship, fields usually treated separately, revealing cumulative vulnerabilities specific to Brazilian solo mothers, largely absent from Global North mumpreneur research.
Qualitative, exploratory, interpretivist research based on 29 semi-structured virtual interviews with Brazilian solo-mother entrepreneurs, analyzed through Bardin's content analysis with Atlas.ti software support.
Four harassment categories were identified — sexual, moral/organizational, institutional, and patrimonial, which overlap and reinforce one another across women's life and business trajectories.
The study expands the concept of structural barrier in women's entrepreneurship to include systemic gender-based violence, and documents how peripheral women are incorporated into entrepreneurial ecosystems without access to capital, networks, or growth opportunities.
Findings support public policies on differentiated credit, childcare provision, institutional protection against harassment, and justice-system training to recognize and curb vicarious violence against solo mothers.